Seu cachorro entende a sua cara de mau humor pela manhã

Cachorros são legais e, pelo menos aqui no Brasil, não há espaço para quem rejeite tal afirmação — que tipo de monstro não afaga um dog de rabo abanando, afinal?

Em 2013, eram cerca de 52 milhões de cães nos lares brasileiros, mais do que o dobro da população nacional de gatos. Essa predileção apaixonada faz com que muitos de nós tenhamos a impressão de que os cachorros nos entendem. E, bem, segundo a ciência, talvez não estejamos tão errados assim.

Uma pesquisa publicada há pouco no periódico Behavioural Processesaponta que cães conseguem reconhecer expressões faciais humanas. Mais especificamente: eles sabem se sua cara está com raiva ou está feliz. E isso, claro, também pode afetar o humor deles.

Segundo a etóloga responsável pelo estudo, Natália de Souza Albuquerque, do Departamento de Psicologia Experimental da USP e pesquisadora convidada da Universidade de Lincoln, na Inglaterra, já era sabido que cachorros conseguiam diferenciar algumas emoções humanas, “mas saber que expressão negativa ou positiva transmite uma informação, isso é um nível de complexidade maior”. “A gente não fala só de discriminação, falamos em reconhecimento”, disse Alburquerque, por telefone, ao Motherboard.

Participaram do estudo 17 cachorros, nove machos e oito fêmeas, com idades entre dois e sete anos. Eles foram colocados diante de imagens de pessoas e de outros cachorros com expressões positivas e negativas, ao mesmo tempo em que foram expostos a sons de vocalizações com estímulos positivos ou negativos, ou um som neutro. Para garantir que estavam relaxados, os animais não foram treinados para a participação e também não estavam com fome. “Se os animais quisessem sair andando e não participar, eles poderiam fazer isso, é uma forma de garantir dados muito mais robustos”, comentou a pesquisadora.

Observou-se, assim, que os cachorros tendem a lamber mais os lábios quando confrontados com humanos com expressões bravas. Esse tipo de lambida é associada à sensação de fome e bastante comum em situações em que o cachorro treinado está prestes a ganhar um petisco, mas, segundo Albuquerque, pode esconder mais do que isso. “A literatura aponta esse comportamento como uma estratégia para lidar com o estresse do cachorro. Em estudos mais antigos em que o cachorro era exposto a situações estressantes, um dos comportamentos recorrentes era o de lamber a própria boca”, explicou a etóloga.

Para a pesquisadora, isso pode indicar um comportamento comunicativo por parte do animal. É como se ele tentasse te dizer: ei, cara, não estou me sentindo muito legal nesse momento. “Quando o cão percebe algo negativo o estado emocional dele muda e este comportamento pode ser uma forma de comunicar isso”, comentou.

Segundo a pesquisadora, os próximos passos da pesquisa são verificar como os animais agem diante dessas informações. “Verificar se eles usam isso para resolver problemas no dia a dia, ou com quem vão interagir em uma situação real”, concluiu a pesquisadora.

Enquanto isso, vale sorrir mais para seu cão. E nem pense em fazer caretas para ele, seu monstro!

Fonte: Vice Brasil

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