Saiba como estão as “Marias”, as porquinhas resgatadas de um grave acidente há 3 meses

Passava das 3h30 da manhã do dia 25 de agosto de 2015 quando uma carreta perdeu o controle e capotou na altura do km 14 do trecho oeste do Rodoanel, na Grande São Paulo. O acidente ocasionou quilômetros de congestionamento, mas um dado alarmante chamou mais atenção do que o trânsito: 110 porcos estavam dentro da carroceria do caminhão. 

O veículo, que saiu de Uberlândia (MG), seguia para um frigorífico em Carapicuíba (SP). Os animais ficaram presos por 7 horas até serem salvos por uma ação coordenada entre voluntários. O grupo conseguiu arrecadar mais de R$ 280 mil em doações feitas por cerca de 6 mil pessoas, através de uma vaquinha virtual para o resgate e acolhimento dos bichinhos.

A iniciativa livrou os suínos de um futuro abate com um acordo, que transferiu a responsabilidade deles aos ativistas. Livres, os porcos ganharam um novo lar: o sítio Santuário Terra dos Bichos, localizado em São Roque (SP).

Balanço do acidente: 19 dos 110 porcos morreram no local do acidente; 22 não resistiram no transporte até o sítio; dos 69 novos sobreviventes, nove foram adotados e o restante vive no sítio Santuário Terra dos Bichos; R$ 281.122,55 foram arrecadados por uma vaquinha virtual criada para ajudar no resgate dos bichos

Vida nova para as “Marias”

Apaixonada por animais, a engenheira civil e empresária, Cintia Frattini, de 53 anos, foi uma das primeiras pessoas a se sensibilizar com o acidente. Dona do sítio Santuário Terra dos Bichos, que abriga cerca de 500 animais em São Roque (SP), ela abriu o seu espaço para receber os porcos feridos.

Cintia relembra como foi o início do acolhimento: “Como todas eram fêmeas, ganharam o nome de ‘Marias’. Elas vieram muito feridas. Foi tão grave que estavam com as colunas torcidas, fraturas expostas no joelho, foi horrível”.

Reprodução/Cintia Frattini

“Marias” recebem cuidados em sítio em São Roque (SP)

As imagens veiculadas das porcas presas dentro do veículo geraram comoção e, em pouco tempo, uma vaquinha virtual criada pelo portal vegano Vista-se arrecadou cerca de R$ 280 mil com donativos de mais de 6 mil pessoas, que contribuíram para a vida nova das “Marias”.

A veterinária Cristina Filomena Bastos Cabral, de 52 anos, e outros voluntários se uniram à Cintia Frattini para prestar os primeiros socorros às porcas. “Fiquei lá todos os dias durante uma semana, inclusive nas madrugadas, amparando, medicando e socorrendo as “Marias” que, além das dores pelas lesões corporais, apresentavam convulsões, hiperemia, aumento brusco de temperatura e intenso estresse pós-traumático”, conta.

Comovida com a história, Cristina adotou sete “Marias”, que hoje vivem com ela em um sítio, em Atibaia (SP). A veterinária escolheu ficar com as que estavam mais feridas e que, possivelmente, teriam de ser eutanasiadas (mortas para aliviamento da dor). “Me afeiçoei pelas que poderiam ser sacrificadas”, lembra.

Após a adoção, elas receberam novos nomes: Alice, Berenice, Chica, Joana, Luz, Peppa e Pink. Três meses depois, Cristina narra com otimismo a recuperação dos bichinhos: “A Alice e a Joana ainda inspiram cuidados, pois as fraturas estão reduzindo aos poucos. A Chica, que seria sacrificada na noite do acidente, está maravilhosa e adora dormir na lama. Já a Berenice, a Luz e a Peppa estão totalmente integradas à vida livre”.

A maior surpresa para ela foi a porca Pink. “Depois de uma cirurgia para retirada de um tumor, descobrimos que ela estava prenha. Ela teve oito leitõezinhos que estão saudáveis e completando 15 dias. A Pink vai experimentar o que as suas irmãs não tiveram, que é a chance de criar seus filhos, amamentá-los e vê-los crescer livres”, festeja a veterinária.

Arquivo pessoal

Depois de adotada, a porca Pink deu à luz 8 leitõezinhos

Cintia Frattini também tem motivos para comemorar a recuperação de suas “Marias” no santuário Terra dos Bichos. Em meio a cuidados veterinários, fartas comilanças e banhos de lamas, elas convivem com outros animais domésticos, domesticados e silvestres, muitos resgatados de outras ações parecidas com a do acidente no Rodoanel.

“O estado de saúde delas é excelente. Elas estão ótimas e estão dando até trabalho da bagunça que fazem. Elas engordaram em média 40 kg cada uma nos dois últimos meses. Dar dignidade a seres vivos que estariam mortos não tem preço”, se orgulha Cintia.

O impacto do acidente

A servidora pública da Sec. Estadual de Meio Ambiente de MG, Fabíola Resende Rodrigues, de 36 anos, acompanhou pela televisão as notícias que davam conta do acidente envolvendo a carreta com as “Marias” no Rodoanel.

A moradora de Tiradentes (MG) se comoveu com o caso divulgado pelos ativistas na internet e nas redes sociais e foi uma das 6 mil pessoas que participou da vaquinha virtual para o resgate dos animais.

Ela conta que a doação a deixou com a consciência menos pesada, mas a ideia de ainda consumir carne a deixou perturbada. No dia seguinte ao acidente, Fabíola decidiu parar de comer carne. A primeira refeição feita por ela foi arroz, feijão salada e ovo.”Foi muito simples, mas foi tão bom, me senti muito melhor sabendo que estava em processo de mudança”, lembra.

Fabíola diz ter tentado ser vegetariana outras vezes, mas depois do que viu com a fatalidade das “Marias”, o estímulo para seguir com um novo hábito alimentar foi decisivo. “Hoje, me alimento de uma maior variedade de vegetais e de grãos. Fiz exames de rotina e estão bem melhores que nos anos anteriores. Estou muito mais leve e animada”, completa.

Cuidado com a alimentação: O Guia alimentar do Ministério da Saúde alerta que, embora o consumo de carnes ou de outros alimentos de origem animal não seja absolutamente imprescindível para uma alimentação saudável, a restrição de qualquer alimento obriga maior atenção na escolha da combinação dos demais alimentos. Quanto mais restrições, maior a necessidade de atenção e, eventualmente, de acompanhamento nutricional
Fonte: Bol

Deixe uma resposta