Como evitar os insetos no verão

Verão chegando: Sol, céu azul, calor, piscina e praia… O verão, a estação mais badalada do ano, não traz apenas diversão. É neste período, que ocorre o aumento da incidência de insetos. O entomólogo Anthony Érico Guimarães, chefe do Laboratório de Díptera, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que o aumento da umidade do ar e as altas temperaturas, realmente, estimulam as atividades reprodutivas dos insetos, provocando sua proliferação. Então, para livrar sua casa desse incômodo, todo cuidado é pouco. Além de serem asquerosos, alguns deles ainda podem provocar doenças.

A limpeza dos lares é uma das principais armas para se combater os insetos, mas, muitas vezes, não é o suficiente. Guimarães destaca que nem sempre a dedetização é capaz de eliminar todas as incômodas espécies.

– Há venenos específicos para cada tipo de inseto. A pessoa precisa saber quais as espécies que estão proliferando em seus lares antes de contratar o serviço, que também não impedirá a entrada dos insetos voadores, que são atraídos pela luz como a barata de esgoto e o cupim – afirma Guimarães.

Mosquitos, pernilongos e moscas

No caso dos mosquitos, a incidência aumenta porque, com as chuvas, cresce o número de criadouros e a temperatura elevada acelera o ciclo de desenvolvimento. O surgimento de pernilongos, um mosquito urbano, está mais ligado à falta de saneamento básico, pois fazem seus criadouros fora de casa, usando água suja como nos córregos, esgotos e valas negras, de acordo com Guimarães. Para evitar que entrem nos lares, é bom adotar o hábito de fechar a janela antes do pôr-do-sol. Mas o quê fazer quando eles já entraram nos quartos?

Segundo Guimarães, os aparelhos elétricos (pastilha ou líquido) e o aerossol são apenas paliativos, espantando as fêmeas dos mosquitos (os machos não sugam sangue), mas nenhum deles mata o mosquito. Para que um aerossol, realmente, mate o mosquito, é preciso que uma gota do produto acerte o mosquito, pois caso contrário apenas o espantará.

– Todos esses produtos se baseiam no fato de as fêmeas dos mosquitos serem atraídas pelo odor que o humano elimina naturalmente pela pele, principalmente o ácido lático e o CO2 liberado na respiração. Quando usamos esses aparelhos que produzem cheiros, assim como os repelentes usados diretamente na pele, a fêmea do mosquito não consegue “descobrir’ ou ‘perceber’ a presença do homem. São apenas paliativos, pois só funcionam quando estão ligados. Uma vela de andiroba ou espiral, por exemplo, para fazer efeito, devem usados em ambientes pequenos e completamente fechados – afirma Guimarães.

Destaca-se ainda que algumas espécies são vetores de doenças que podem ser fatais ao homem, como Aedes aegypti. Para prevenir a criação destes insetos, deve-se evitar água acumulada em pratos de vasos, pneus, além de outros recipientes, assim como manter a caixa d´água bem fechada. Recomenda-se fechar as janelas logo ao entardecer ou utilizar telas mosquiteiras. Guimarães alerta que, lugares menos óbvios como as bandejas de geladeira e de aparelhos de ar-condicionado também precisam ser lavadas e escovadas, a cada dez dias, pois podem, facilmente, tornarem-se criadouros do Aedes aegypti, assim como as vasilhas de água de animais de estimação, que sempre devem ser lavadas.

Ele também ressalta que é fundamental sempre limpar e manter as lixeiras fechadas, assim como não acumular resíduos, pois as moscas depositam seus ovos sobre restos de alimentos, que servem de comida para as larvas. Há também as pequenas moscas de banheiro que se criam nos ralos dos boxes devido à alta umidade. Para combatê-las, usar inseticida usualmente ou detergente no ralo.

Cupins

Mesmo nos lares limpos e dedetizados, acontece a entrada das espécies aladas. Em alguns casos, especialmente nas noites bem quentes e úmidas, basta deixar as janelas abertas para perceber a revoada de cupins voando em torno de pontos luminosos. Parecem inofensivos, mas é dali que os pares se formam. No solo, onde ocorre a perda das asas, o par procura um local favorável para iniciar uma nova colônia com milhares de larvas. A partir daí livros, móveis e tacos de madeira correm o risco de se tornarem refeição de cupins. Como paliativo é possível colocar querosene nos pontos ondes há indícios do inseto, mas para liquidá-los, a dedetização é o melhor caminho, avisa o entomólogo.

Baratas

Ele explica existem dois tipos de baratas que podem ser encontradas nos lares. As baratas grandes, escuras e voadores que, geralmente, invadem as casas durante a noite, atraídas pela luz, em busca de restos de comida. Essas não são criadas dentro dos lares. Normalmente, seus criadouros e abrigos são lugares quentes e úmidos como esgotos e fossas. Ou seja, mesmo numa casa limpa e dedetizada, elas podem entrar sem cerimônias. Por isso, é recomendável nunca deixar louças sujas na pia de um dia para outro e panelas abertas com comida sobre o fogão. Para barrar as asquerosas voadoras, neste período do ano, só fechando as janelas ao anoitecer ou usar telas mosquiteiras.

Elas também chegam às residências pelos ralos dos banheiros, cozinhas e áreas de serviço. Entretanto, os insetidas aerossol não resolvem o problema, já que facilmente o veneno será levado pela água que escoa pelo ralo.

– Se houver baratas entrando pelo ralo, assim como pelas janelas ou frestas de portas, janelas ou paredes, a medida é sempre a mesma: a limpeza geral de esgotos, caixas de gordura, fossas e coisas afins, pois são nesses lugares que elas ficam abrigadas e põem os ovos. Não adianta dedetizar a casa. Dedetização só funciona para as baratas domésticas, as ‘francesinhas’ – afirma Guimarães.

Embora sendo dos esgotos, essas baratas escuras podem fazer o criadouro dentro das casas dependendo da higiene doméstica do ambiente.

Já a barata doméstica, pequena, marrom e/ou amarela, chamada, popularmente, de ‘francesinha’ cria-se nos lares, dentro de armários de roupas, equipamentos e caixas de som, forração interna da porta das geladeiras, depósitos com sapatos e todo tipo de material que tenha ‘cola de madeira’. Para dar fim às ‘francesinhas’ é indicada a dedetização específica que, devem ser realizadas periodicamente.

Formigas

Outro inseto que se torna mais comum nos lares no verão é a formiga, que se instala em azulejos quebrados, vãos de armários e prateleiras. Uma alternativa para combatê-la, segundo Guimarães, é criar uma barreira mecânica com graxa, detergente ou óleo. Outra possibilidade para amenizar o problema, segundo a paisagista Emmilia Cardoso, é identificar onde fica o formigueiro e colocar cravo-da-índia nas proximidades.

– Dá para descobrir o formigueiro, colocando um pedacinho de comida. Em pouquíssimo tempo, elas aparecerão. A partir da trilha da formiga, deixe alguns cravos. Também dá para usar folhas de hortelã seca ou de pimenta. Mas é muito difícil de exterminá-las. Mantenha sempre os alimentos cobertos e fechados – afirma Emmilia.

Guimarães reforça que as formigas não transmitem doença da mesma forma que os mosquitos, mas são importantes condutores mecânicos de doenças, carregando todos os micróbios e bactérias de seu trajeto como o lixo. Ou seja, nem tudo são flores no verão e todo cuidado é pouco.

Fonte: O Globo

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