Cientistas chineses planejam comercializar ‘microporcos’ para domesticação

A lista de possíveis animais domésticos para se adquirir está ganhando um novo integrante: os porquinhos. Exatamente, agora as crianças e adultos que estiverem procurando por um amigo animal vão ter a chance de escolher entre gatos, cães, pássaros, peixes, chinchila, porquinho-da-índia e porcos, entre outros.

Por mais que não pareça uma novidade tão grande, afinal já há casos de pessoas que possuem porcos de estimação, a diferença agora é que esse fato deve se tornar mais comum. Isso porque pesquisadores chineses planejam vender uma nova espécie de “microporco”, com o intuito de se tornarem domésticos.

Os animais são alterados geneticamente e programados para crescer no máximo até 15 kg, resultando no tamanho semelhante ao de um cão de porte médio. O anúncio foi feito pelo Instituto Genômica de Pequim (BGI), durante a Reunião de Líderes Internacionais de Biotecnologia de Shenzhen, no final do último mês de setembro.

Criados inicialmente para fins de pesquisa, os “leitõezinhos” serão oferecidos ao público em breve e devem custar US$ 1,6 mil (cerca de R$ 6,2 mil). Esse preço, segundo o diretor-técnico de Ciência Animal do BGI, Yong Li, é apenas uma experiência inicial para sentir como será a reação do público e do mercado.

A alteração genética permitirá variedade de características

A alteração genética dos suínos vai permitir mais do que os consumidores terem um porco de estimação em suas casas. De acordo com o BGI, no futuro, os clientes terão a oportunidade de escolher entre diferentes cores e tipos de couro.

Segundo Li, o instituto planeja utilizar todo o lucro da venda de microporcos para investir em pesquisas. “O objetivo é receber as encomendas e constatar qual será o tamanho da demanda”, explicou o diretor.

A novidade atraiu a atenção do público, segundo o geneticista Even Lars Bolund, que ajudou no desenvolvimento de alteração genética dos animais. Ele se surpreendeu com o anúncio da venda para domesticação, mas afirmou que os porquinhos roubaram o show no evento. “Nós tínhamos mais público do que qualquer outro. As pessoas ficaram agarradas neles e todo mundo queria segurá-los”, completou Bolund.

Há quem questione a ideia

A alteração genética de animais não é uma unanimidade no mundo da ciência. Do ponto de vista ético, muitos cientistas se manifestam contra a prática de utilizar o manuseio dos genes para fins levianos como a comercialização para o público.

Um dos que discutem o projeto do BGI é o geneticista da Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg, na Alemanha, Jens Boch. Ele ajudou o instituto chinês a desenvolver a técnica utilizada para a criação dos microporcos. “É questionável se nós devemos impactar a saúde, o bem-estar e a vida de outras espécies animais do planeta sem nenhuma preocupação”, disse o pesquisador em entrevista ao site Nature.

Fonte: Megacurioso

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