Chip da indústria farmacêutica pode levar ao fim dos testes em animais

Até agora, laboratórios no mundo inteiro dependem muito de testes em animais para desenvolver novas substâncias contra doenças. Uma pesquisa da ONG União Britânica pela Abolição da Vivisseção calculou em 115 milhões o número de cobaias utilizadas nesses estudos. Essa realidade gerou uma série de entidades e movimentos em defesa dos animais – quem não se lembra do resgate dos beagles em um laboratório de São Roque, interior de São Paulo, em 2013? – que agora ganham aliados inesperados. Agências como a Food and Drug Administration (FDA, a ANVISA americana) e de pesquisas militares já admitem que a pesquisa com animais perdeu eficiência.

Por isso, novas opções começam a surgir: Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês), em conjunto com outras agências, por exemplo, lançaram um projeto para criar um dispositivo pequeno e feito de plástico, com canais microscópicos que transportam fluidos e mimetizam sistemas do corpo humano muito melhor do que em placas de cultura de células. Essa inovação pode evitar testes em animais graças à sua precisão.

Além disso, os prazos para obter conclusões podem se reduzir significativamente, pois não há animais envolvidos que necessitam de cuidados e alimentação constantes. Atualmente, desenvolver e comercializar uma nova droga pode levar até 14 anos de pesquisas de laboratório e consumir bilhões de dólares, o que também impacta o prazo de retorno dos investimentos realizados.

Chip (Foto: Divulgação/NIH)

 

Tradicionalmente, os roedores são os animais mais utilizados nesse trabalho, mas a evolução tecnológica mostrou que eles fornecem uma margem de previsibilidade de reações humanas a substâncias de entre 30% e 60% apenas. Além disso, é possível que existam drogas potencialmente curativas para seres humanos que não são testadas por serem tóxicas aos ratos, impedindo a conclusão dos testes.

O objetivo do programa dos NIH é criar chips que reproduzam exatamente a função de cada órgão humano para, então, conectá-los com fluidos e capturar as interações entre eles – o que eventualmente tornará possível criar um corpo inteiro em forma de chip. Já foram produzidos chips de pulmão, fígado e rins, com resultados animadores.

Curiosamente, essa inovação se baseia em tecnologias de microfabricação da indústria de semicondutores, com cada chip reproduzindo canais, veias e membranas flexíveis do órgão desejado. Recriam-se, assim, o fluxo e as forças experimentadas pelas células dentro do corpo humano.

Além de ajudar os laboratórios a desenvolver pesquisas mais eficientes, esses dispositivos podem, no futuro, permitir que hospitais utilizem células-tronco de um determinado paciente para desenvolver e “personalizar” tratamentos para sua doença específica.

Fonte: Galileu

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