A GRANDE REVOLUÇÃO ANIMALISTA NA ESPANHA

Leões marinhos usando coletes salva-vidas ou equilibrando uma bola em seus narizes, lobos ‘siberianos’ que impõem sua ferocidade em manada ou ursos pardos ‘gigantes’ são alguns dos anúncios do espetáculo que o Circo Quiros publicou cujo título é: “A maior exibição de animais vista na arena de um circo”.

Se a moção realizada pelo movimento Compromís avançar, a cidade de Elche se tornará a décima localidade da província de Alicante onde os animais nos circos são proibidos.

Neste sentido, a Comunidade Valenciana está passando há dois anos por uma revolução animalista, se tornando a segundo província, depois de Cataluña – com uma lei que afeta toda a região – onde mais municípios se somam a essa tendência. No último caso, a capital Valência tentou passar a lei sem êxito com o governo anterior do PP e que agora, com o movimento Compromís, conseguiu tornar isso realidade. No total, 17 municípios valencianos optaram por restringir os animais como entretenimento circense.

Desde que Petrer – pioneiro em toda a Espanha – introduziu essa medida em 1989 com um governo socialista, já se passaram quase 20 anos até que se somassem outros municípios. Novelda e Paterna – com o partido PP – adotaram a medida em 2007, e somente em 2012 os três municípios da província de Valencia implementaram a medida. Foram Burjassot, Picassent e l’Horta Nord.

Em 2013, importantes localidades aderiram à medida, como Alicante, Alcoy e Villena, de acordo com os dados da ONG AnimaNaturalis. Em 2014, a tendência ascendente continuou, graças às cidades de Ontinyent, Guardamar Del Segura, Aspe, Elda e El Campello, e agora estão aguardando sua vez, além de Elche, cidades como Torrevieja, Gandía e Torrent, cujos governos iniciaram os trâmites para não facilitar as licenças para esse tipo de negócio.

“Estão atacando nosso direito ao trabalho”, denunciam os circos. 17 municípios já proibiram esse tipo de espetáculo e os trâmites continuam.

Esta proposta, promovida quase que na totalidade por partidos de esquerda, quer evitar “os maus-tratos que sofrem os animais que estão enjaulados e sem espaço para se mexerem”, denuncia Ainda Gascón, presidenta da AnimaNaturalis España. “Isso é claramente violência”. Outros grupos como Pacma recordam que muitas vezes os animais selvagens são açoitados, golpeados ou recebem descargas elétricas quando são domados. Os animalistas também criticam o “nulo valor educativo” para as crianças, “que acabam aprendendo que os animais estão aqui para divertir as pessoas”. Eles pedem que o circo seja um espetáculo que funcione sem animais, como ocorre na maioria das cidades europeias.

A respeito disso, os empresários circenses se opõem, porque garantem que “sem animais, as pessoas não vêm ao circo, nós já tentamos e não funcionou”, explica Ignacio Pedrera, porta-voz do Circo Quiros, uma companhia que foi fundada em 1916. Mesmo assim, negam a maior acusação: “as condições onde estão os animais são supervisionadas semanalmente pelo Seprona – Serviço de Proteção da Natureza –, por um veterinário do município e pela polícia local”, acrescenta Pedrera. Ele anuncia que criou uma ‘associação de circos’ em nível nacional que tem como principal objetivo “denunciar os municípios que proíbem os circos com animais porque eles estão atacando nosso direito constitucional ao trabalho”.

Os empresários acreditam que, ao estender essa norma para mais municípios, isso acabará repercutindo negativamente no emprego do setor. Eles citam como exemplo o caso do Circo Quiros, onde 14 de seus 63 funcionários trabalham com animais, entre encarregados de cuidados e domadores.

Fonte: Olhar Animal

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